Rota Negra mapeia 15 casas em Porto Seguro

Porto Seguro, no sul da Bahia, está estruturando a Rota Negra – Povos de Terreiro, iniciativa de afroturismo que reúne 15 casas interessadas em receber visitantes. Segundo a gestão municipal, o projeto busca valorizar a ancestralidade afro-brasileira e fortalecer o turismo cultural e religioso.

O mapeamento foi conduzido pela Superintendência de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria de Governo, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo. As informações foram reunidas a partir de dados fornecidos pelas próprias comunidades.

As casas participantes estão distribuídas por diferentes localidades do município e incluem espaços ligados ao Candomblé, à Umbanda e uma casa ecumênica. A iniciativa foi apresentada em 4 de novembro de 2026 como uma etapa inicial de articulação com as comunidades tradicionais.

Rota Negra em Porto Seguro

A proposta prevê que as experiências sejam conduzidas conforme a identidade e as condições definidas por cada casa. A estruturação do roteiro envolve a qualificação dos espaços e a preparação de um mapa oficial com informações sobre a Rota Negra.

Mapeamento reúne 15 casas em diferentes localidades de Porto Seguro

Em Trancoso, o cadastro inclui o Ìle Àsé Omò Inà Ati Omi, na região rural; o Ile Axe D’Omim; o Unzo de Nkosi de Raiz Amburaxó, no Xandó; o Ilê Axé de Xapanã, em Sapirara; e o Ile Aira Modé Afefe Ajagunan, em Coqueiro Alto. Também integra o levantamento o Ilê Axé Opô Obá Awooloyá, em Itaporanga.

Em Arraial d’Ajuda estão o Ile Axé Templo de Oya e o Ilé Axé Yá Ominarê. Na sede municipal, foram cadastrados o Terreiro de Umbanda Ogum Beira Mar e Caboclo 7 Flechas, a Casa Ecumênica Pai José, o Ile Barú Obafunjô, o Ile Axé Kaja D’Omin Orum e o Ilé Oyaleicam Axé Odékaturá; o Manzo Lunda Nzenzu Mazambe fica no interior, e o Unzó de Mutá Ondire, no Litoral Norte.

Segundo a prefeitura, as comunidades foram organizadas em quatro núcleos territoriais: Trancoso, Arraial d’Ajuda, Litoral Norte e sede de Porto Seguro, com outras localidades incluídas. Do total cadastrado, dez casas ficam em áreas rurais e cinco em zonas urbanas.

O levantamento não abrange todos os terreiros existentes no município: reúne somente as casas que responderam ao formulário e demonstraram interesse inicial em participar da Rota Negra em Porto Seguro. A gestão municipal informou que as localizações ainda serão verificadas durante a qualificação técnica.



Visitas e atividades respeitam as condições de cada comunidade

Entre as casas cadastradas, 13 relataram alguma experiência de acolhimento. Cinco foram identificadas como preparadas para iniciar a estruturação turística e disseram já realizar visitas guiadas ou orientadas: Ile Axe D’Omim, Ilê Axé Opô Obá Awooloyá, Unzo de Nkosi de Raiz Amburaxó, Ile Barú Obafunjô e Ile Aira Modé Afefe Ajagunan.

As visitas a esses espaços devem ser combinadas previamente com cada comunidade, conforme a disponibilidade de seus integrantes e as condições definidas pelos responsáveis. A participação no cadastro não significa que todas as casas estejam abertas para visitação imediata ou ofereçam as mesmas atividades.

As experiências mencionadas incluem visitas orientadas, conversas sobre ancestralidade, apresentações sobre a história das casas, gastronomia, dança afro e artesanato. Também foram citadas oficinas de fios de contas, corte e costura, atividades sobre ervas e defumações, feiras culturais e venda de produtos das próprias comunidades.

O levantamento registra ainda práticas como banhos e jogos de búzios, cuja eventual oferta fica sujeita às decisões de cada casa e aos limites de suas tradições religiosas. A proposta municipal estabelece que a visitação não deve transformar práticas de fé protegidas em apresentações ou espetáculos.

Qualificação técnica antecede a divulgação do mapa oficial

Antes de integrar oficialmente o roteiro, cada espaço passará por qualificação e visita técnica para avaliar as condições de atendimento ao público. De acordo com o superintendente de Promoção da Igualdade Racial, Danilo Souza, serão considerados capacidade de atendimento, dias e horários disponíveis, agendamento, acessibilidade, estrutura e eventuais valores cobrados.

A avaliação também deverá definir parâmetros para fotografias, filmagens, circulação de visitantes e acesso a áreas reservadas. Esses critérios serão aplicados de acordo com as regras de cada casa e com a autonomia das comunidades religiosas.

O secretário municipal de Turismo, Guto Jones, informou que, após a organização do roteiro, será divulgado um mapa oficial com a localização das casas participantes, as experiências oferecidas e orientações para agendar visitas. A iniciativa também se relaciona a expressões afro-brasileiras presentes no município, como capoeira, música, artesanato, gastronomia e a Festa de Iemanjá.



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