A cypher Rap Pataxó será lançada nas plataformas digitais em 30 de outubro de 2026, acompanhada de um videoclipe em versão estendida. De acordo com a divulgação do projeto, a produção aborda a resistência indígena e a luta por demarcação.
Gravada em aldeias como Coroa Vermelha e Mirapé, além de outras localidades de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, a obra reúne versos em Patxohã, português e inglês. O formato cypher conecta diferentes artistas em uma mesma faixa.
Participam Akuã Pataxó, Puhuy, Cássio Apache MC, Cirilo MrVj e Dona Cleuza Pataxó. A pré-estreia oficial do videoclipe foi programada para 22 de outubro, às 20h30, no Painel Indígena da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro.

Realizada pelo AOCA Cultural, a iniciativa também incorpora cantos tradicionais e manifestações culturais Pataxó. Segundo a divulgação, o projeto contou com financiamento complementar da UFSB e reuniu artistas e integrantes de comunidades do território.
Artistas e lançamento da cypher Rap Pataxó
Na estrutura de uma cypher, cada participante apresenta versos em sequência, mantendo estilo e trajetória próprios dentro da mesma faixa. Segundo as informações do projeto, a escolha desse formato permitiu reunir diferentes artistas indígenas em uma produção coletiva de Hip-Hop.
Os jovens rappers envolvidos também atuam em seus territórios com educação, ensino musical e oficinas de Hip-Hop. Entre as iniciativas citadas estão ainda a organização de batalhas de rima, atividades que integram a atuação cultural de Akuã Pataxó, Puhuy, Cássio Apache MC e Cirilo MrVj.
A cantora e mestra popular Dona Cleuza Pataxó participa da produção com uma trajetória ligada ao samba indígena, que canta desde a infância. Sua presença, conforme a apresentação do projeto, estabelece um diálogo entre saberes e presta homenagem às mães da Terra Mãe.
Versos sobre resistência e manifestações culturais Pataxó
As letras partem de experiências vividas nos territórios e apresentam o rap como resposta às violências sofridas pelo povo Pataxó. A produção também reúne diferentes poéticas afro-indígenas, segundo a divulgação do projeto.
O curta-metragem incorpora ensinamentos e cantos tradicionais Pataxó, além de memórias sonoras do Cordão de Tapuio. Esses elementos aproximam a narrativa audiovisual das expressões culturais presentes nas comunidades envolvidas.
Entre as participações estão o Coral de Mirapé, a Folia de Reis Pataxó de Coroa Vermelha e a Bicharada de Coroa Vermelha. As manifestações aparecem junto aos versos e aos registros do filme, compondo a dimensão coletiva da obra.
Videoclipe, exibições públicas e realização do projeto
O desenvolvimento do projeto incluiu uma formação de 20 horas em gestão da música independente, com conteúdos sobre direitos autorais, produção fonográfica e distribuição digital. As oficinas ocorreram no Centro de Cultura de Porto Seguro e no Colégio Universitário (CUNI) de Porto Seguro.
A produção reuniu profissionais da música e do cinema dos estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Na parte musical, a faixa teve produção do DJ Samu AKA Suguiura, conforme os créditos divulgados pela equipe.
A ação de extensão foi coordenada pelo professor Bernard Pêgo Belisário e pela pesquisadora Caroline Azolin Pedrozo, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes), sob orientação do professor Spensy Kmitta Pimentel. O projeto recebeu financiamento complementar da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEX) e do Programa de Apoio às Artes e à Cultura (PAAC), no âmbito da ACEX Rap Pataxó – Produção Musical e Videoclipe.
A programação de exibições públicas incluiu a Mostra de Filmes do 2º Festival Literário Apoena, na Oca Central do Comércio Indígena de Coroa Vermelha, e uma sessão na Escola Indígena Pataxó Mirapé Ytamawy. A pré-estreia oficial integrou o VIII Congresso de Extensão (CONEX) e o V Fórum de Cultura da UFSB, no Campus Sosígenes Costa, em Porto Seguro.
Serviço
- Mostra de Filmes do 2º Festival Literário Apoena: 17/10, às 11h00, Oca Central do Comércio Indígena de Coroa Vermelha, Rodovia BR-367, Km 77 – Santa Cruz Cabrália/BA
- Exibição na Escola Indígena Pataxó Mirapé Ytamawy: 20/10, às 8h30, Aldeia Mirapé, Rodovia BR-367, Km 68, via entrada da Jaqueira – Porto Seguro/BA
- Pré-estreia oficial | VIII CONEX e V Fórum de Cultura da UFSB: 22/10, às 20h30, Painel Indígena da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Campus Sosígenes Costa, Rodovia BR-367, Km 10 (Porto Seguro–Eunápolis), s/n, Zona Rural – Porto Seguro/BA


